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Setembro

14

Intercâmbio na África: conheça a rotina da voluntária Jesica

A África é um dos destinos mais procurados por intercambistas voluntários. O país possui ONGs que oferecem oportunidades de trabalho voluntário em diversas áreas para você se candidatar.

A intercambista Jesica, embarcou nesse mês pela Intercultural no programa Good Hope Volunteers, que realiza desde 2009 projetos comunitários na África do Sul.

Ela contou para a gente como está sendo a rotina de intercambista e quais são suas atividades lá.

 

Conhecendo Johannesburgo

Na “alma” de Johannesburgo, fui encantada. Se você pensa que brasileiro é simpático, você não conhece esse povo aqui. Por onde você passa: halooo!

Independente da situação, eles estão alegres. Brincando, perguntando como vc está, se tudo está bem. Arriscando um “obrigado”. Eles te acolhem. Mas não por ser turista, eles acolhem o próximo. Todos são irmãos.
Aqui, Mandela vive. O exemplo de respeito ao outro pulsa em todo canto que vc vá. E eles se orgulham muito disso. Se alguém não age com compaixão, “ele não pertence a esse lugar”. Se alguém acha estranho dar a mão, eles não cansam de apertar a mão. Um povo tão orgulhoso e tão pra cima que chega a ser emocionante escutá-los.
Por onde vc passa, as pessoas te acenam. As crianças brincam e correm para bater um high five na sua mão.
Se vc pensa que o sofrimento do apartheid anulou esse povo, que vc encontrará herança da injustiça nessa gente, sim, vc está certo. Porque aqui vc vai encontrar a resiliência. A gana. E a alegria.
Se eu vi pobreza? Sim. Mas diferente do que vemos por aí, não vi pessoas entregues à pobreza. Vi muitos deles com um saco maior que eles próprios nas costas, carregando algo como trabalho, provavelmente reciclagem. Eles não se entregam. Eles se doam.
Aqui, escola é de todos para todos. “A educação é a arma mais poderosa que vc pode usar para mudar o mundo”- Mandela.
Se vc quer inspiração de vida, conheça o Soweto, de ponta a ponta.

Primeiro dia: disciplina e valores

Meu primeiro dia como voluntária, ou melhor, como “titchá”. O medo logo é quebrado quando a primeira criança que você avista corre em sua direção. Ela te dá um abraço apertado, desses de fechar os olhos. Mais um típico abraço africano, a propósito. Por onde vc passa: Haloo titchá 👋🏻. Todos esses pequenos não precisam saber quem vc é, de onde veio, oq está fazendo ali. Eles te adoram gratuitamente. ❤️ E aqui é assim, liberdade de expressão literal. Se querem dar carinho, simplesmente dão. Se querem chorar, choram!
Pela manhã, o voluntariado é em uma escola primária. À tarde, em um projeto social que é mantido por doações e acolhe crianças, principalmente órfãs, vítimas da massacrante hiv passada.
Na escolinha, a aula iniciou com eles contando o que fizeram ontem. “Church”, na maioria. Eles são intensamente cristãos e agradecem a Jesus por tudo. 🙏🏼
A professora não apenas ensina, como educa. Ela fala de valores e caráter. A disciplina de todas essas crianças é admirável. Respeitam filas para tudo, dão sermão no coleguinha que faz algo errado e “denunciam-o”. À tarde, no #IkhayaleThemba, o carinho continua. As crianças são um pouco maiores e chegam para fazer a tarefa da escola, recreação, atividades culturais, além de duas merendas.

Segundo dia: respeito ao próximo

Na aula da manhã, comecei a cuidar mais de perto. Levar ao banheiro, em grupos, foi minha primeira lição.

Pelo caminho, elas disputam quem vai de mão de dada com você. E, mesmo ciente da crise de água que o país passa, não consegui abdicar de lavarem as mãos após o pee. (Desculpe, professoras! 😬) Porém, só precisei mostrar uma vez e elas já tomaram o hábito. Quem sabe incluí algo já para cuidar da saúde delas…
Com a chuva, a recreação foi dentro da sala e pude comandar uma brincadeira com eles. No “Simon says”, entre risadas do meu sotaque e algumas palavras minhas trocadas, não tivemos perdedores. (Vc diz Simon says… e em seguida um comando que todas tem que fazer o mais rápido possível)
Pela tarde, aprendi a lição que traduz o @ikhayalethemba_project : #behavior. Caráter é a tradução mais próxima. Em um pequeno discurso para os alunos do projeto, a gerente Susan falou sobre a importância do bom comportamento na vida e respeito ao próximo. Como exemplo, se uma criança levanta da sua cadeira e outra chega e senta no lugar, não tem pq reclamar. “Tudo bem, eu encontro outra pra mim”. O sentimento de comunidade e família é forte. Ninguém pode ser individualista aqui. Sobre respeito, ressaltou a importância de se preocuparem com o outro e tomarem conta reciprocamente.
E outra regra: não mentir. Citando a Bíblia, Susan ensinou que uma mentira é uma prisão. Quando você mente, fica preso a sustentar aquilo. Pra sempre.

Terceiro dia: a escolha do país

Quando decidi embarcar nessa jornada, muitas pessoas me perguntaram: “mas por quê ir pra África? No Brasil também temos pobreza. Por quê ir tão longe, gastar dinheiro?” Aqui, confirmei minha resposta. Vim para Imizamo Yathu, em Hout Bay – África do Sul, porque eu confiava. Acreditava no projeto que fazem aqui. No uso adequado de recursos. Vim para estar distante da corrupção.
Hoje, o time de profissionais que tocam o @ikhayalethemba_project e eu conversamos sobre a linha tênue entre “permitir” a ajuda e “explorar” a ajuda. Vimos o relato das instituições no Cambodja, que são totalmente corruptas e estrategicamente instaladas em áreas turísticas. Aqui, entra o debate sobre o “voluntourism”. Os tours para ver a miséria nos países subdesenvolvidos é crescente. As instituições perceberam isso e, ao invés de focarem nas crianças, focam na exploração dessa situação.
As doações são desviadas. Os orfanatos crescem, mesmo que não sejam ocupados por órfãos. E então, temos dois problemas: o desvio de dinheiro e o desvio do caráter dessas crianças. O convívio com a família é essencial para a formação. Elas perdem isso.
Neste sentido, o cuidado em apoiar, ajudar e se voluntarizar tem que ser grande. Pesquise. Estude. Incentive “safe houses”, e não orfanatos.
Como o nome já diz, são instituições que proporcionam um lugar seguro para as crianças passarem um período. Receber apoio, reforço educacional e o cuidado que suas casas não conseguem oferecer – mas que mesmo assim são indispensáveis.
Esse é o caso do @ikhayalethemba_project. Um projeto 360 para as crianças, pais/familiares e a comunidade de Imizamo Yathu. Honrada em fazer parte disso!

Quarto dia: choque de cultura

Um dos maiores choques de cultura que estou vivendo aqui é em relação à higiene. Enquanto estamos acostumados a esbaldar água e sabão, aqui fico feliz quando chego em casa e vejo o sabonete.
A falta de hábito das crianças escovarem os dentes na escola me fez ir atrás dos motivos. Até pensei em ser pela crise de água, mas seria resolver um problema ocasionando outro.
Perguntei a uma das crianças onde ela escovava os dentes. E ela me respondeu apenas em casa.
Então, ontem conversei com a coordenadora do outro projeto, que não tem ligação com a escolinha, se aquilo seria pelo racionamento. Ela disse que definitivamente não e que eu deveria falar sobre isso com a diretora do colégio.

No outro dia, quando cheguei lá fui direto conversar com a direção. Questionei se isso era normal, que em nenhum dia vi criança alguma escovando dentes lá. E a resposta foi que “elas escovam sim… ” e que iriam perguntar à professora da minha classe.
Após isso, pela primeira vez, um baldinho de escovas surgiu.
Pela primeira vez nas quase 50 que acompanhei crianças no banheiro, vi dentes sendo escovados. Espero que o hábito continue após minha saída.

Continue acompanhando em nosso blog a rotina da Jesica em seu intercâmbio.

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