Data Representação de um calendário 04/10/2012

Livro: 365 dias na Austrália

Livro: 365 dias na Austrália

A catarinense Lydia Nunes Ghisi tem alma de viajante. Participou por duas temporadas do programa Work Experience USA, mas foi ainda adolescente, no seu primeiro intercâmbio de High School para Austrália, que adquiriu o gosto de se aventurar em terras distantes.
Durante o ano que passou na Austrália, Lydia manteve um diário de viagem, que agora, 11 anos mais tarde, virou um livro.  Em 365 dias na Austrália ela divide com os leitores a sua experiência no país, além de fornecer um guia sobre intercâmbio. O lançamento será nesta sexta-feira, 5 de outubro, às 19h30, na UEA Universidade – Tubarão, com o apoio da Intercultural.

Confira abaixo uma entrevista com a autora.
Quando despertou em você a idéia de fazer o primeiro intercâmbio? Sempre teve vontade ou foi por influência de alguém?
Posso dizer que a vontade de ser uma intercambista e conviver com outras pessoas e culturas foi despertada lentamente,  o incentivo dos professores de inglês foram bem válidos e determinantes bem como a leitura do livro: Voando sem Asas, que conta um pouquinho da experiência de 6 meses de uma gaucha em solo americano,  mas o impacto e o desejo maior foi quando aos 15 anos, recebemos em nossa escola um intercambista americano.  A idéia de conviver com alguém diferente me animou para a possibilidade de eu também poder ser a diferente em outro local. E comecei a pesquisar sobre programas de intercâmbios, duração e valores.
Como foi a escolha do destino?
Minha primeira escolha de destino? AUSTRÁLIA! Pelo fato de pensar ser um país climaticamente muito semelhante ao Brasil, de falarem o idioma inglês, de o povo australiano ser um povo descontraído e de ser um amplo país, geográfica e culturalmente a ser desbravado.

Como foram os preparativos para o intercâmbio?
Faltando 2 meses para minha ida à Austrália, tivemos nossa reunião de orientação, recebemos instruções e pareceres de como ser um bom intercambista e de como nos comportarmos na casa de nossas futuras host-families/família anfitriã. Mergulhei nas aulas de inglês e procurei assistir a muitos filmes em inglês, pois sabia o que me aguardava em poucos meses. Faltando poucos dias para a viagem começamos a organizar os itens mais importantes que iriam na mala. Fazer a mala para um ano no exterior pode parecer uma tarefa impossível, mas se for feita com bastante antecedência não terá muito erro. Comprei também presentes, pequenas lembranças do Brasil para as host-families.
Conte um pouco da experiência de convivência e adaptação.
Lembro bem da minha primeira semana na Austrália, tinha muita dor de cabeça e sempre ia dormir mais cedo (19 horas não queria mais ver nem falar com ninguém) por não estar bem sintonizada no local e não conseguir entender nem 60% do que era dito. Passado o primeiro mês, já estava menos tímida com minha host-family e começava a puxar assunto para praticar o idioma. Na escola fazia mil perguntas para os professores e colegas de classe para interagir. Mas os australianos são muito abertos, e não tive impasse algum durante o meu ano lá.

 Como foi o relacionamento com a host-family?
O estranho e o novo no ninho é o intercambista, então se abra a novas experiências e evite falar muito de seus velhos hábitos e costumes, e não compare os países, as comidas, as pessoas… enfim esteja aberto, seja flexível, tolerante e busque um convívio de “harmonia-sintonia-coesão” com suas famílias que aceitaram participar e te acolheram nesta etapa. Lembre-se: nada é melhor ou pior, é apenas diferente! E o resultado do relacionamento entre você e suas host-families dependerá, e muito, de você.
Quando resolveu fazer um novo intercâmbio? (Work Experience)
Logo que voltei da Austrália, fiquei com aquele desejo de quero viajar mais, procurei me informar sobre outros tipos de intercâmbios para uma próxima aventura. Pela amiga e conterrânea  Gabi Tonelli ouvi “N” histórias e motivações para participar do programa Work Experience USA, que é um programa de trabalho remunerado nas férias universitárias, normalmente em estações de esqui ou em várias empresas de diferentes ramos em todo território americano. Pesquisei agências de viagens especializadas em intercâmbios e encontrei a Intercultural, que passou maiores informações sobre este tipo de intercâmbio bem como me acompanhou durante as 2 experiências que tive no Work Experience USA.

Como foi a experiência nos Estados Unidos?
Penso que a experiência foi tão válida e proveitosa que participei do programa 2 vezes. Da primeira vez trabalhei em Mountain Club On Loon, na cidade de Lincoln NH  e em seguida me mudei para  Breckenridge, no estado do Colorado. Consegui uma vaga de busser e até um segundo emprego. A cidade e estação de ski são encantadoras, ali fiz muitas amizades com pessoas de diferentes nacionalidades, esquiei muito. Fiquei mais 2 meses em “Breck” trabalhando e esquiando, tirei 1 semana para viajar em NYC e Boston e retornei para faculdade no Brasil.

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Fiz estágio de curso 1 ano no Brasil e, no ano seguinte, embarquei com meu namorado e minha amiga Taty para Keystone, no Colorado. A estação também faz parte juntamente com  Breckenridge, Beaver Creek, Heavenly e Vail do VAIL RESORTS, consideradas as melhores montanhas de ski do mundo. Nesta temporada trabalhei como fotógrafa de crianças e caixa na Keystone Grocery por 3 meses. Aprimorei minhas habilidades no ski, na máquina fotográfica, no idioma, bem como fiz amizades que até hoje mantenho contato. Tiramos 2 semanas para viajar e conhecer Las Vegas, São Francisco e Los Angeles antes de retornar as aulas na faculdade no Brasil. Muito válida a experiência!

Qual a diferença entre um intercâmbio de estudo e o de trabalho?
Penso que para tudo em nossa vida há um tempo e um intercâmbio ou viagem que se encaixa. Com 16-18 anos o intercâmbio de high school ou de idiomas é perfeito, nas opções curta ou longa duração, dependendo da disposição financeira e emocional de cada um. Neste intercâmbio há um período de amadurecimento, auto-conhecimento e independência que fica bastante evidente. Já na época de faculdade, os programas de trabalho são boas opções, pois  trabalhamos e viajamos no período das férias e ganhamos qualificações no currículo que contarão muito na hora da entrevista de emprego.

Teve influência na sua carreira profissional?
Antes de fazer o intercâmbio de high school na Austrália, tinha planos de ser farmacêutica ou odontóloga, e cheguei até a passar no vestibular da UFSC para Farmácia antes de embarcar para Austrália. Na volta do intercâmbio, percebi que os idiomas, as trocas de informações com pessoas de diferentes nacionalidades me despertavam, e foi aí que optei por cursar Relações Internacionais e Administração.

Quando e como surgiu a ideia do livro?
Durante meus 365 dias na Austrália mantive um diário escrito quase que diariamente já pensando em um dia escrever um livro para dividir com as pessoas minhas experiências e aprendizados. Mantive-o guardado por 11 anos, e só este ano senti que era a hora de escrever o livro e pensar no que foi válido.

Deixe uma mensagem para os leitores do blog Intercultural que já planejaram ou ainda pensam em fazer  intercâmbio.

A vida é feita de desafios e oportunidades, e é preciso encará-los na certeza de que não pisamos na mesma água do rio duas vezes, se hoje temos uma oportunidade amanhã poderemos não tê-la. A saudade existe e faz parte, mas o aprendizado e crescimento são tamanhos que fazem a experiência valer a pena!
Na dúvida: FAÇA UM INTERCÂMBIO!

No Twitter: https://twitter.com/LYnunes

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